segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Nosso tempo...


Mais um ano que se afasta. Deveres cumpridos. Promessas engavetadas. À meia-noite, positividade, desejos e oferendas para o futuro.

Mas o hoje é todo o tempo que temos. O ontem são águas a iludir moinhos. O amanhã, quimeras lançadas ao vento...

Ainda assim, enclausurar-se no agora me parece tão grave quanto se deixar deter nos tempos idos e vindouros.

Porque somos feitos inevitavelmente de possibilidades, sonhos e histórias. Tempo que ganhamos, perdemos, matamos, transcendemos.

E nos (des)equilibramos em suas engrenagens e tiquetaqueamos no seu ritmo e nos (des)medimos por sua lógica.

Porque, incorrigivelmente humanos, vivemos, tememos, ansiamos e saudamos cada passagem de nossa transitória eternidade.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

O que fizemos do Natal



Natal...
_ Oferta-relâmpago: três camisas pelo preço de uma!
Corre-corre, empurra-empurra: _ Essa é minha, já peguei!
 
Natal...
A caixinha do lixeiro, do carteiro, do porteiro...
Não é tempo de ser sovina.
 
Natal...
Olhos grudados na vitrine.
O menino sonha acordado com um Papai Noel mais justo.
 
Natal...
A família reunida para a ceia.
Comida farta, parente farto, sai falando mal do panetone, que a anfitriã serviu.
 
Natal...
Alguém oferece baixinho uma oração para o Cristo.
E no Céu os anjos entoam cânticos de paz e esperança.

sábado, 8 de dezembro de 2012

Ao poeta, as curvas


Falecido na última quarta-feira, Oscar Niemeyer, ícone da arquitetura brasileira, deixa como legado a ousadia de imprimir no áspero concreto a sinuosidade de sua imaginação.
A magnitude criativa de uma cidade, a delicadeza de uma flor ofertada à Paris, a revolução de uma escultura exibindo em vermelho-sangue a América Latina... A cada obra, enfim, a beleza surpreendente de quem não se deixou aprisionar pelo senso comum.
Engana-se, no entanto, quem pensa que o arquiteto curvava a inflexibilidade das retas, eram elas que se curvavam à sua genialidade.
Em uma de suas entrevistas ao jornal O Globo, afirmou Niemeyer: “Eu queria uma arquitetura que não fosse, não lembrasse, uma arquitetura feita com régua e esquadro. Uma arquitetura assim com mais fantasia. Cada um faz o que quer e assim que eu faço a minha”.
Tenho para mim que é esse o principal fator a distinguir os gênios das pessoas comuns: a busca indócil pelo impensado sem se importar com as imposições que costumam embarreirar os demais.
E Niemeyer foi, sem dúvida, um desses espíritos audaciosos, sendo capaz de romper com o óbvio e converter em poesia a sobriedade urbana.