sábado, 22 de setembro de 2012

Desamor


Quando a tempestade se for

e a dor se desanuviar

e os incautos sacudirem a água do corpo encharcado

e a indiferença escoar esgoto abaixo

e a primeira pomba acenar com um raminho de esperança

e a vida correr, pular e escorregar nas lágrimas pelo caminho,

ainda seremos (e não seremos) os mesmos,

por dentro, por fora, por todos os lados,

sobreviventes do desamor.

sábado, 15 de setembro de 2012

Lua

À pequena Lua, minha filhinha de quatro patas, que hoje completa um ano.



Lua minguante ao léu tinha por reino o negrume dos sacos de lixo. Noite sem estrelas.
Lua novinha encantou quem se atreveu a se desvelar da indiferença e a acolher no coração.
Lua, carinho e fofura crescentes, amor incondicional.
Lua cheinha (de graça), anjo que Deus enviou para nos fazer sorrir.
 

domingo, 2 de setembro de 2012

Andarilho


 

Sob o nublado céu, vai um ser sem destino,
verdade indolor não almeja mais.
Perdeu-se no momento em que abriu os olhos
e já não pode fechá-los por medo da escuridão.

Sob a chuva que cai, o homem não corre,
a dor o abriga da vida.
E os raios não podem atingi-lo
enquanto sua mente estiver lá.

Sob o sol que se põe, algo o espera:
o desconhecido a romper com o medo.
A alma, num rompante alada, alça voo
 
tão alto que se confunde com as estrelas...
E os dois seguem lado a lado
porque não há mais amanhã.