domingo, 20 de maio de 2012

A passageira ao lado


Dia desses entrei no ônibus, apressada, e me sentei no primeiro lugar vago que encontrei. De repente, comecei a ouvir a senhora ao meu lado sussurrar sinistramente:
_ Eu vou contar até dez, vou te dar só mais uma chance....

Olhei para ela, na esperança de ver um celular em suas mãos. Nada.
_ Um, dois, três ... _ continuou a estranha.

A mulher não era necessariamente louca ou perigosa, talvez fosse só alguém falando com seus botões. Afinal, a razão e a loucura caminham lado a lado, testando com frequência as frágeis fronteiras, que instituímos. Num mundo virado do avesso, quem pode alegar ser totalmente são?

O doutor Simão Bacamarte, protagonista de O Alienista, de Machado de Assis, depois de estudar detidamente a loucura e enclausurar toda uma cidade, acreditando-a demente, acabou por concluir que a verdadeira loucura era a sua suposta perfeição.

Mas, pelo sim pelo não, antes que a passageira ao lado pudesse completar a aterrorizante contagem, levantei-me com prudência e fui procurar um lugar seguro no fundo do ônibus.

domingo, 13 de maio de 2012

Homenagem ao dia das mães


Mãe, amizade, zelo, dedicação, carinho, fortaleza.
Minhas palavras tão indigentes, diante da dimensão do amor materno, buscam nos lindos versos de Mário Quintana, a expressão de seu significado, nessa singela homenagem ao dia das mães:

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Um poema em cada árvore

14/03/12 (Governador Valadares/MG)

Recebi ontem a foto do meu poema “Por causa da chuva”, selecionado para participar da 17ͣ  edição do projeto “Um poema em cada árvore”.

Idealizado pelo poeta Marcelo Rocha, o projeto visa a incentivar a leitura, utilizando o espaço público e as árvores de Governador Valadares para ampliar o acesso da população à poesia.

Em 2011, “Um poema em cada árvore” foi finalista do Prêmio Vivaleitura, uma iniciativa da OEI – Organização dos Estados Ibero-americanos, Ministério da Cultura, Ministério da Educação e Fundação Santillana (Espanha).

sábado, 5 de maio de 2012

Mentirosos


Os grandes mentirosos do cotidiano pregam sempre a mesma peça nos distraídos do coração alheio, que lançam inocentes a trágica pergunta: Tudo bem? Tudo bem, respondem uns, tudo ótimo, exageram os mais ousados, mentirosos crônicos.

Não os culpem. Eles aprenderam desde cedo a guardar para si todos os seus problemas e já não sabem distinguir entre o cumprimento superficial e o real interesse por seu bem-estar.

Recusam-se a serem os chatos que maculam com lamúrias a felicidade dos outros. E, para consolidar de vez a farsa, rasgam à força um largo sorriso no rosto. Só o olhar, delator incorrigível, mantém-se em eterno descompasso com a verdade inventada.

O olhar é luz sobre o palimpsesto da alma, revelando mistérios que ninguém se atreve a decifrar. Tão mais seguro ficar na superfície, não saber, não se envolver...
E os mentirosos continuam sua encenação de contentamento, enquanto desmoronam, por dentro, na solidão de sua dor.