segunda-feira, 23 de abril de 2012

O segredo das letras



Lembro-me da primeira vez que me deparei com um texto: manchinhas negras sobre o papel, que eu, num vão esforço, tentava decifrar. Sabia que havia algo de especial ali e aguardava ansiosa pelo momento de descobrir seu segredo.
Quando, finalmente, o aprendizado escolar me permitiu desvendá-lo, foi como se as letras abrissem de repente um portal mágico, convidando-me a adentrar num universo de infinitas possibilidades: o livro.
Cada livro é um caleidoscópio de histórias, sonhos e emoções, capaz de nos arrancar da mesmice cotidiana e nos conduzir por lugares, tempos e enlaces inimagináveis. De uma viagem guiada ao inferno ao encontro com Deus numa cabana, da burguesia carioca do século XIX à mitológica Terra Média, do amor impossível em Verona ao romance insólito em Forks.
Cada livro é uma janela para o mundo e para nós mesmos, compartilhando ideias e memórias, que nos permitem refletir e re(formar) criticamente nosso saber. Todos os ismos, herança das transformações socioculturais do homem, mostram-nos o caminho percorrido, alicerces do porvir.
Por isso, hoje, no dia mundial do livro, desejo a todos excelentes leituras de si, de livros e do mundo!


sábado, 21 de abril de 2012

Inspiração


Tento escrever. As ideias fogem desabaladas. A branquidão virtual à minha frente ri provocadora. Sabe que os dedos apenas passeiam sobre as letras sem destino e sem vontade.

Nem a janela modernosa do mundo nem as antigas e caprichosas musas sopram na minha direção o vento inspirador. Nem mesmo a natureza, a poesia (ou os fofoqueiros de plantão) foram capazes de lançar luz à falta de assunto e dissipar a inércia criadora.

O que fazer então? Seguir a vida e deixar o tempo arrastar-se, até que tratados de paz com as musas sejam selados ou definitivamente rompidos? “Viver não é necessário, o que é necessário é criar”, garante Fernando Pessoa.

Criem-se, portanto, acontecimentos desvairados, estilos transgressores, perspectivas singulares.

Fiat lux, verbum, vita!

Crie-se, enfim, uma razão para escrever.

domingo, 15 de abril de 2012

O homem quebrado



Não, não e não! Tão insistentes foram as negativas da vida que ele, sem poder mais se sustentar, despencou. Desastradamente. Quebrou-se sem nunca ter estado inteiro. Não tinha conserto, percebeu desconcertado. Não dessa vez. Viveria ou não viveria em pedaços.

No início, sentiu uma dor pungente, quase insuportável. Quando se acostumou à dor, veio a vergonha, faltava-lhe tanta coisa por dentro, por fora. A gente perfeita o olhava de soslaio e cochichava à sua passagem. Foi ele mesmo que procurou esse caminho torto e vacilante. Bem feito!

Para fugir do mundo, para fugir de si, o homem quebrado trancou-se numa caixa de madeira. Ficou lá por mais tempo do que podia contar, entregando-se à letargia desencantada. Um dia o vento soprou tão forte que o arrastou com caixa e tudo para um lugar muito distante. Antes que pudesse perceber onde estava, alguém o retirou cuidadosamente de seu esconderijo.

Era um homem gigantesco, mas não teve medo, parecia bondoso e extremamente sábio. De repente, todos os sentimentos adormecidos voltaram com força: dor, culpa, vergonha. Sentia-se mal por sua imperfeição.

_ Estou quebrado_ desculpou-se com humildade.

O desconhecido abriu um sorriso compreensivo e, como quem pronunciasse um encanto, capaz de libertá-lo de si e dos outros, explicou:

_ Não se preocupe, não há nada de errado em ser humano.


sexta-feira, 13 de abril de 2012

Resultado do primeiro sorteio do blog


Conforme anunciado, realizei hoje, às 21h, o sorteio do livro “Contos Fantásticos de Terror e Medo”. O sorteado foi:



Parabéns, Erick Tenello!!!
Entrarei em contato por email para solicitar o endereço para envio.
Obrigada a todos pela participação!!!

domingo, 8 de abril de 2012

Déjà vu: tragédia em Teresópolis


Depois da tempestade... mais tempestades...
E os dias melhores se escondem por trás de promessas esquecidas.
Foi apenas o alarme de chuvas que falhou?
A tragédia foi mesmo evitada?
A chuva lava ou leva a alma?
A vida mais uma vez soterrada,
Interrompida, desdenhada,
Por um mar de lama e hipocrisia.

domingo, 1 de abril de 2012

Conteúdo removido



Conteúdo removido do blog com fins de publicação.
Desculpe o transtorno.