quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Respostas literárias

Fiquei muito feliz ao receber essa tag do Blog Spiderwebs e resolvi responder de um jeito diferente, pegando emprestados versos de dois dos meus poetas favoritos: Cecília Meireles (11 coisas sobre mim) e Fernando Pessoa (perguntas diversas). Espero que gostem!
11 coisas sobre mim
1.”Quando alguém diz que sabe alguma coisa,/ fico perplexa:/ ou estará enganado, ou é um farsante/ - ou somente eu ignoro e me ignoro desta maneira?”


2. “Viajo sozinha com o meu coração./ Não ando perdida, mas desencontrada./ Levo o meu rumo na minha mão.”
3. “Vim para amar neste mundo, / e até do amor me perdi.”
4. “O que sou vale mais do que o meu canto.”
5. Entre mim e mim, há vastidões bastantes/ para a navegação dos meus desejos afligidos.”
6. “Eu vim de infinitos caminhos, / e os meus sonhos choveram lúcido pranto/ pelo chão.”
7. "Aprendi com a primavera a me deixar cortar. E a voltar sempre inteira."
8.”Esta frágil escola que somos, levanto-a com paciência/ dos alicerces às torres, sabendo que é trabalho sem termo”.
9.”Até morrer estarei enamorada de coisas impossíveis”.
10. “Conheço pessoalmente a dor./ A sua residência, longe,/em caminhos inesperados”.
11.”Somos sempre um pouco menos do que pensávamos./ Raramente, um pouco mais”.

Perguntas diversas
1. Qual o maior erro que você cometeu?
“Ah, quem escreverá a história do que poderia ter sido?/ Será essa, se alguém a escrever,/ A verdadeira história da humanidade./ O que há é só o mundo verdadeiro, não é nós, só o mundo; / O que não há somos nós, e a verdade está aí./ Sou quem falhei ser./ Somos todos quem nos supusemos./ A nossa realidade é o que não conseguimos nunca”.
2. Qual seu maior sonho?
“Não sou nada./ Nunca serei nada./ Não posso querer ser nada./ À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo”.
3. Com que objetivo você criou o seu blog?
 Deste modo ou daquele modo./ Conforme calha ou não calha./ Podendo às vezes dizer o que penso,/ E outras vezes dizendo-o mal e com misturas,/ Vou escrevendo os meus versos sem querer,/ Como se escrever não fosse uma cousa feita de gestos,/ Como se escrever fosse uma cousa que me acontecesse/ Como dar-me o sol de fora./ Procuro dizer o que sinto/ Sem pensar em que o sinto./ Procuro encostar as palavras à idéia/ E não precisar dum corredor/ Do pensamento para as palavras”.
4. O melhor filme que você assistiu?
Aquele queBasta pensar em sentir/ Para sentir em pensar./ Meu coração faz sorrir/ Meu coração a chorar”.
5. O pior filme que já assistiu?
O que traz “a subtileza das sensações inúteis,/ As paixões violentas por coisa nenhuma,/ Os amores intensos por o suposto alguém./ Essas coisas todas - Essas e o que faz falta nelas eternamente -;/ Tudo isso faz um cansaço,/ Este cansaço,/ Cansaço”.
6. Me diga duas coisas que você mudaria na sua vida:
Só duas? “Tudo o que faço ou medito/ Fica sempre na metade./ Querendo, quero o infinito./ Fazendo, nada é verdade”.
7. Qual sua comida favorita?
Chocolates! Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates”.
8. Já quis voltar no tempo?
Claro, “tudo vale a pena quando a alma não é pequena”.
9. Quem é seu ídolo?
Eu quero ser sempre aquilo com quem simpatizo,/ Eu torno-me sempre, mais tarde ou mais cedo,/ Aquilo com quem simpatizo, seja uma pedra ou uma ânsia,/ Seja uma flor ou uma idéia abstrata,/ Seja uma multidão ou um modo de compreender Deus./ E eu simpatizo com tudo, vivo de tudo em tudo”.
10. Qual a sua música favorita?
“Qualquer música, ah, qualquer,/ Logo que me tire da alma/ Esta incerteza que quer/ Qualquer impossível calma!/”.
11. Como você se imagina com 40 anos?
“Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?/Ser o que penso? Mas penso tanta coisa!”.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Yes, nós temos bananas



Chiquita Bacana lá da Martinica veio ao Rio pular o Carnaval. Encantou-se com a alegria dos foliões. Resolveu seguir o mar de gente, que se agitava nas ruas em meio ao samba, suor e cerveja. Vestida com uma casca de banana nanica, ela se misturou de bom grado às Colombinas, Pierrôs, baianas, piratas, Janetes, Valérias e aos tradicionais 171.
Achou graça da coreografia no meião do bloco. Ao som de Ei, você aí, me dá um dinheiro aí, um grupo levava as mãos ao alto, ao bolso e depois à cabeça aos gritos. Chiquita tão Bacana quis filmar a dança irreverente e ficou sem o Smartphone, ainda na terceira prestação.

Mas Chiquita tão Banana não ligou. É Carnaval, dia de festa, de esquecer os problemas e se entregar à folia (yes, nós temos bananas, bananas pra dar e vender). Encheu a cara, cantou, dançou, cochilou e acordou entre os restos da folia, sem dinheiro nem documentos, cercada por belas montanhas de lixo multicor, rios de urina e claro muita, muita alegria.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Brincando com os sons

Segredos segregados,
soturnos, solitários,
sabem-se suspeitos,
sibilando sempre.


Injúrias insolentes,
inspiradas, inocentes,
investindo intragáveis
insultos imutáveis.


Opulência, oráculos,
ordem, obstáculos
ornamentam ocasiões
ossificadas.


Quem quer questionar quatis?
Como cantar calado?
Muitos mistérios movem mundos.
Pouca poeira para parvos poetas.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Vamos brincar de ser gente de novo?


Saudades do tempo em que o mundo era um lugar mágico, no qual tudo era possível. O bem vencia o mal, os bandidos só existiam nas brincadeiras de criança e o futuro acenava como oásis de realizações. Lembranças distantes. Miragens da infância.

Gente crescida. Mundo desvelado. Terra manchada pelo que há de pior nos homens: ódio, ambição, arrogância, egoísmo, indiferença. Povos se matam por divergências religiosas, territoriais ou sabe Deus se ainda lembram o motivo; homens (e mesmo crianças) agridem-se por disputa de poder, preconceito ou pura maldade; políticos corrompem a máquina pública e negligenciam a sociedade. As cicatrizes humanas cada vez mais profundas...

Talvez fosse o caso de a humanidade voltar à velha infância. E toda vez que o caminho entortasse, que o monstro tomasse conta das almas desatentas, sugeriria a voz da razão: Vamos brincar de ser gente de novo? E o faz de conta nos salvaria de nós mesmos.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

300 visitas



Hoje o blog completou 300 visitas. Por isso, aos viajantes de passagem, aos que vieram para ficar, a quem lê, comenta ou só dá uma espiadinha da entrada do labirinto, obrigada e volte sempre.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Trouxeste a chave?


Palavras adormecidas se espreguiçam demoradamente, apesar do despertador que, por pura implicância, grita o tempo desperdiçado. Mas elas vivem num mundo próprio, sem pressa. É preciso desatar os nós que as prendem à obviedade para, só então, partir em aventura.

E vão sem medo, brincando pelo caminho, misturando-se às suas iguais tão desiguais, tornando-se majestosamente chulas, estrangeiras nacionalíssimas, velhas enxutíssimas, misteriosamente claras. Cúmplices em frases suspeitas. Será erro, estilo, devaneio, poesia? Inútil interrogar, elas se protegem em um silêncio revelador.

Vez ou outra, prenhas de inspiração, dão à luz neologismos, indiferentes aos olhares repreensivos dos mais conservadores. As palavras são livres e imprevisíveis. Brisa, ventania, furacão...

E no fim do dia, temporariamente mudas, apartadas das companheiras, elas retornam ao estado potencial, faces secretas à espera da chave.