sábado, 28 de janeiro de 2012

Labirinto literário



Arriscar palavras,
Semear emoções,
Desfolhar desejos.
Bem-me-quer, malmequer,
Não me quer.
E o caminho outrora reto,
Enreda-se em labirinto
De sonhos e poesia.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

A medida da maldade


Dias desses me chamou a atenção uma campanha publicitária contra a violência infantil, em que a mãe, prestes a bater no filho, depara-se com sua imagem transfigurada no espelho da sala. O mal lhe tingindo a face. Um alerta do que podia vir a ser.

Fiquei pensando no quanto seria útil um espelho que mostrasse a medida da maldade. Ao menor desvio de caráter, o reflexo demoníaco indicaria: não vá por aí, este não é quem você quer ser.

Nem sempre nos damos conta do mal que infligimos aos outros. Cheios de boas intenções, pais espancam filhos, chefes humilham subordinados, amigos se omitem, cônjuges se enganam.

E a medida da maldade fica a critério de cada um, de sua consciência ou da repentina falta dela.

sábado, 21 de janeiro de 2012

Sugestão de leitura

O e-book com os minicontos vencedores do Concurso da Geração Editorial já está disponível para leitura.
O meu texto “Inexorável” está entre eles:



Inexorável

 
Para ela, uma vida sem ondas.

Nada muda.  Indiferença.

Nada muda. Solidão.

Nada muda. Cansaço.

Nada, nada, nada e morre na praia.

Muda.


O link para download é: http://wp.me/pC6mz-yh

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

À espera de heróis


O acidente do navio Costa Concordia teve como graves consequências perdas humanas e o risco de um desastre ambiental, em razão de vazamento de combustível no Mar Mediterrâneo. Mas o que mais chamou a atenção nessa tragédia foi o comportamento do capitão Francesco Schettino.
Um dos primeiros a abandonar o navio, quando deveria ser o último, ignorou todas as ordens de voltar a bordo para ajudar os passageiros e preferiu coordenar o resgate a distância, na segurança de um bote salva-vidas. Ele não foi o herói que esperávamos.
Mas confiando na natureza humana, imaginamos que entre os milhares de passageiros e tripulantes tenha havido quem se preocupasse com o outro, indicando a saída, distribuindo coletes ou palavras tranquilizadoras em meio ao caos.
Confiando na natureza humana, imaginamos que, diariamente, as adversidades sejam superadas com o auxílio daqueles que, sem superpoderes ou uniformes mirabolantes, disponham-se a deixar sua zona de conforto e se arriscar por alguém.
Imaginamos e ficamos à espera de heróis que salvem o dia e a nossa fé nos homens.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Gato preto

Minha bela Lua
Meu gatíssimo Angel





        






Eis que chega a primeira sexta-feira 13 do ano. Há quem acredite serem as sextas-feiras dias de infortúnio e o treze um número de azar. Juntam-se os dois em uma mesma data e voi-là: um prato cheio para os supersticiosos, que procuram, a todo custo, evitar atos de suposto mau agouro, como quebrar espelhos, abrir guarda-chuvas dentro de casa ou passar embaixo de escadas, por exemplo.

Nada contra crendices populares inofensivas. O problema é quando elas começam a afetar criaturas inocentes, caso do injustiçado gato preto. Desde a Idade Média, esses felinos sofrem as consequências do medo e da ignorância dos homens. Por sua pelagem negra, os bichanos eram associados ao mal e à feitiçaria, sendo perseguidos e mortos pela Inquisição. Idiossincrasias da Idade das Trevas? Nem tanto.

Em pleno século XXI, gatos pretos são desprezados, maltratados e mesmo (pasmem) sacrificados em rituais de magia. A crueldade e a estupidez dos homens mais uma vez fazendo vítimas entre os inocentes.

Pretos, brancos, amarelos, vermelhos, somos todos criaturas de Deus, parte de uma mesma família. Já não deveríamos ter aprendido essa lição?

Tenho dois gatos pretos (e de quebra uma cachorra preta também) e posso dizer, com propriedade, que gatos pretos não dão azar, dão amor, muito amor. E isso é tudo o que importa.
 

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

É só querer?

A espera pelo novo ano. A ceia, os trajes brancos, as superstições, os fogos de artifício, todo o ritual executado com perícia para saudar 2012. A esperança renovada por uma mera mudança no calendário. “Nesses novos dias, as alegrias serão de todos, é só querer”, afirma a canção global, depositando em nossos ombros a total responsabilidade por nossos destinos.

Os vencedores quiseram mais do que os fracassados? Os saudáveis mais do que os doentes? Os ricos mais do que os pobres? É tudo uma questão de querer?

Há muito mais entre o desejo e a realização do que sonha a nossa vã filosofia. A vitória não se determina somente por dedicação, fé e persistência, mas também por um golpe de sorte, uma boa rede de contatos ou recursos financeiros.

É comum ouvirmos os relatos de quem venceu na vida, de quem saiu do fundo do poço, levantou a poeira e deu a volta por cima, mas quantos ficaram pelo caminho?

Os miseráveis, os excluídos estão aí, pelo mundo, envergonhados com os dedos que lhes apontam (nunca mãos que lhes estendem). Você não quis o suficiente. Você não lutou o bastante. Você não teve fé.

É mais cômodo atirar-lhes o fardo, virar-lhes as costas e seguir nosso caminho promissor, orgulhosos por termos feito por merecer.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Aviso aos navegantes



Inicio hoje minha aventura blogueira. Sem destino certo, lanço-me ao mar. De palavras, de gente, de ideias. Tudo o que desejo é que meu barco, outrora de papel, saiba flutuar na imensidão digital. Desejo e arrisco, porque navegar é preciso, o resto é imprecisão.