terça-feira, 17 de julho de 2012

A caverna


As sombras em nossa caverna projetam ilusões alimentadas pela chama da acomodação.
Aceitamos a miséria alheia como parte da paisagem, a corrupção como pedágio para um governo, o desserviço público como martírio necessário à salvação.
Desamor, desonestidade, descaso: condutas reproduzidas por muitos de seus mais acirrados críticos.
Num mundo desconcertado, vez ou outra nos surpreendermos com atitudes de honra e generosidade: gente com quase nada devolvendo consideráveis somas de dinheiro encontradas ao léu, autoridades recusando suborno, pessoas se doando pelo bem-estar de outrem...
  
E ficamos com a impressão de que a parte do mundo que consegue espreitar além das sombras eventualmente se faz ouvir, explicitando os equívocos arraigados na sociedade e renovando nossa esperança nos homens.

2 comentários:

  1. Que ótima crítica... Já passou da hora do povo deixar de ser acomodado e buscar transformação...

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  2. Nossa, ja pensou em escrever um livro? Acho que em um mundo onde pais matam filhos, ser honesto e íntegro é uma VIRTUDE. E não obrigação.

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