terça-feira, 24 de julho de 2012

Arte indomável



O poema abaixo foi escrito para participação em um concurso literário em homenagem às arpilleras chilenas, artesãs que, utilizando uma tradicional técnica têxtil, denunciavam o terror da ditadura de Pinochet (1973-1990).

Arte indomável
                                      

No Chile acorrentado, a justiça se enterra com os mortos sem nome,
As moiras cortam, insensíveis, o fio da vida de quem se rebela.

Para sobreviver, é preciso calar.
Mas os corações inquietos, logrando o destino,

Insurgem-se em cores pela liberdade ausente.
Para viver, é preciso bordar.

Retalhos coloridos entrelaçam-se,
Ousando gritar a dor engasgada:

Onde estão meu marido, meu filho, meus direitos, minha verdade?
A arte indomável viaja pelo mundo,

Vencendo o silêncio para testemunhar.
E a história acinzentada pelo medo

Colore-se, nas mãos das mulheres artesãs,
Arpilleras de sonhos e de coragem.

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