quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Trouxeste a chave?


Palavras adormecidas se espreguiçam demoradamente, apesar do despertador que, por pura implicância, grita o tempo desperdiçado. Mas elas vivem num mundo próprio, sem pressa. É preciso desatar os nós que as prendem à obviedade para, só então, partir em aventura.

E vão sem medo, brincando pelo caminho, misturando-se às suas iguais tão desiguais, tornando-se majestosamente chulas, estrangeiras nacionalíssimas, velhas enxutíssimas, misteriosamente claras. Cúmplices em frases suspeitas. Será erro, estilo, devaneio, poesia? Inútil interrogar, elas se protegem em um silêncio revelador.

Vez ou outra, prenhas de inspiração, dão à luz neologismos, indiferentes aos olhares repreensivos dos mais conservadores. As palavras são livres e imprevisíveis. Brisa, ventania, furacão...

E no fim do dia, temporariamente mudas, apartadas das companheiras, elas retornam ao estado potencial, faces secretas à espera da chave.

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