sábado, 19 de setembro de 2015

Lançamento do livro "Versos adversos: 365 pseudohaicais"




Caro(a) leitor(a):
É com alegria que comunico o lançamento de meu livro Versos adversos: 365 pseudohaicais, que reúne os poemas escritos, diariamente, ao longo de 2014, retratando de forma minimalista o cotidiano.
O livro pode ser adquirido nos formatos impresso ou e-book no site da Agbook:
Ou apenas em e-book nas livrarias parceiras:
 
 

domingo, 8 de fevereiro de 2015

Querem água?


 
Degradação ambiental.
Raízes anciãs sufocadas pelo cimento, mananciais se esvaindo com o verde moribundo, indústrias bebendo toda a água e tossindo seu progresso pelas chaminés...
Desgoverno.
Vazamentos copiosos de água tratada, (ab)uso irracional dos recursos hídricos, falta de investimento em políticas de desenvolvimento sustentável...
Deseducação.
Desperdício. Desperdício. Desperdício.
E um belo dia, apesar dos alertas renitentes, despertamos (?) boquiabertos e nos damos conta (?) de que a água não é infinita. Os principais reservatórios do sudeste do Brasil estão em nível crítico e é preciso economizar.
Logo, os meios de comunicação passam a divulgar iniciativas de cidadãos que buscam usar esse bem de forma consciente, mas (quase) nada se vê por parte de seus maiores consumidores: os setores agrícola e industrial, que bebem cerca de 80% do abastecimento.
A eles, complacência; a nós, ameaças de racionamento e sobretaxa. E enquanto aguardamos por dias piores, tudo se congrega no mantra simplista repetido pelo governo e pela mídia: “Querem água? Rezem para chover!”.
 

domingo, 1 de fevereiro de 2015

O que nos cala


 
O silêncio, ouro de tolo a ornar corações emudecidos pela sem-razão de existir, multiplica-se pelas esquinas do tempo. Tão difícil voltar de longas ausências, porque a tarde nos cala, esticada na ponta dos pés para estender nossa letargia. Não fazer, não escrever, apesar da mente em ebulição.

Quietude cultivada, que também pode nascer do assombro com o de repente, que leva ao medo, à dor ou à alegria, cirandando entre os cacos de gente e notícias, quebradas na urgência do dizer.

Algumas vezes, o que nos cala empresta ao silêncio uma melodia, como um beijo de amor, que rouba o fôlego ao som do coração em sol maior. Em outras, é o tédio que dificulta a fala, a mente viajando, abrigada de conversas chatas e ziguezagueantes. A função fática no piloto automático para dar sinal de vida.

Uma voz pode ainda ser roubada por outras vozes, por gritos de quem não sabe argumentar ou pelos argumentos irrefutáveis de quem nunca precisou gritar. E há os que nos calam mesmo distantes, mudos, apenas com o aceno de uma crítica mordaz ou um ar de superioridade, diante de nossa inevitável imperfeição.

Com gravidade, nós nos calamos, circunscritos em nossas neuras e inseguranças, e fazendo do silêncio escudo, postergamos a palavra para dias mais azuis.

          O próprio silêncio nos cala, com suas trancas nas portas das casas, dos corações, da razão, da vida.

E apesar disso, deixamos que a palavra ouse, inefável, por todos os nossos sentidos, precipitando-se (des)propositadamente para o mundo, porque o que nos cala é também o que nos faz falar.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

terça-feira, 30 de dezembro de 2014